XI CONGRESSO INTERNACIONAL DE AGROECOLOGIA ENCERRA COM ANÚNCIO DA REALIZAÇÃO DA XII EDIÇÃO EM MANICA
Lionde, Chókwè, 11 de Junho de 2026 – O XI Congresso Internacional de Agroecologia (XICIA) encerrou esta quinta-feira, no Campus Politécnico do Instituto Superior Politécnico de Gaza (ISPG), após quatro dias marcados por intensos debates científicos, partilha de experiências, fortalecimento de redes de cooperação e reflexão sobre o papel da Agroecologia na construção de sistemas alimentares sustentáveis e resilientes.
As actividades do último dia iniciaram com a realização das sessões paralelas, distribuídas por diferentes salas temáticas, onde investigadores, docentes, estudantes e profissionais provenientes de diversos países apresentaram resultados de investigação, experiências práticas e propostas inovadoras relacionadas com a Agroecologia.
Os debates abordaram temas como Agroecologia e Saúde: Sistemas Alimentares para o Bem-Estar, Práticas Agroecológicas Aplicadas nos Agroecossistemas, Partilha de Saberes entre Actores do Sistema Alimentar e Proximidade e Inovação na Transição Agroecológica, reunindo contribuições de especialistas de Moçambique, Brasil, Portugal, Espanha e Angola, Itália, Cabo Verde, Galiza, México, República Democrática de Gongo.
A diversidade dos trabalhos apresentados evidenciou a crescente relevância da Agroecologia enquanto abordagem científica e prática para responder aos desafios da segurança alimentar, das mudanças climáticas, da conservação dos recursos naturais e do desenvolvimento sustentável.
Ainda durante o período da manhã, realizou-se a Mesa Redonda de Encerramento sobre Resiliência Climática e Sustentabilidade dos Ecossistemas, que reuniu especialistas nacionais e internacionais para uma reflexão aprofundada sobre os desafios impostos pelas alterações climáticas e a necessidade de fortalecer a capacidade de adaptação dos sistemas produtivos e dos ecossistemas.
A mesa contou com intervenções da Mestre Helena Bene (Socodevi – Moçambique), do Doutor Soares Almeida Xerinda (Consultor em Agronegócio), da Doutora Claudia Barrera-Salas (Universidade de Lisboa, Portugal) e da Professora Doutora Cristina Amaro da Costa (Instituto Politécnico de Viseu, Portugal), sob moderação da Doutora Celestina Joshua, do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), e do Professor Pompílio Vintuar, da Universidade Rovuma.
Os intervenientes destacaram a importância da adopção de práticas agrícolas sustentáveis, da gestão integrada dos recursos naturais e da valorização dos conhecimentos locais como elementos fundamentais para o fortalecimento da resiliência climática e da sustentabilidade dos ecossistemas.
Antes da cerimónia oficial de encerramento, o Prof. Doutor Valdemiro Muhala, Coordenador Geral do XI Congresso Internacional de Agroecologia, apresentou uma síntese dos principais resultados alcançados ao longo do evento, destacando a elevada participação de investigadores, estudantes, agricultores, organizações da sociedade civil e instituições públicas e privadas, bem como a riqueza e diversidade dos debates realizados.
Na ocasião, foi igualmente sublinhada a importância histórica da realização do Congresso em Moçambique, pela primeira vez no continente africano, constituindo um marco para a afirmação da Agroecologia em África e para o fortalecimento da cooperação científica internacional.
Seguidamente, interveio o Prof. Doutor Xavier Fernández, membro fundador dos Congressos Internacionais de Agroecologia, que destacou a evolução e o crescimento deste movimento científico internacional ao longo dos anos. Durante a sua intervenção, apresentou os membros da organização internacional dos Congressos Internacionais de Agroecologia e procedeu ao reconhecimento público da Comissão Organizadora Local do XI Congresso Internacional de Agroecologia, enaltecendo o empenho, a dedicação e o profissionalismo demonstrados durante a preparação e realização do evento.
Um dos momentos mais marcantes da cerimónia foi o anúncio oficial, feito pelo Coordenador Geral do Congresso, de que a XII edição do Congresso Internacional de Agroecologia continuará a decorrer em Moçambique, tendo sido escolhida a Província de Manica como anfitriã da próxima edição.
Na mesma ocasião, foi anunciado que o Instituto Superior Politécnico de Manica (ISPM) acolherá o XII Congresso Internacional de Agroecologia, em 2027, assegurando a continuidade deste importante espaço de diálogo científico e cooperação internacional em território moçambicano.
O ponto mais alto da cerimónia foi o discurso de encerramento proferido pelo Director Geral do Instituto Superior Politécnico de Gaza, Prof. Doutor Mário Tauzene Afonso Matangue que destacou o sucesso alcançado pelo Congresso, a qualidade dos debates científicos realizados e a importância da Agroecologia como caminho para a construção de sistemas alimentares mais inclusivos, resilientes e sustentáveis.
Na sua intervenção, o Director Geral sublinhou que o XI Congresso Internacional de Agroecologia permitiu consolidar novas parcerias institucionais, fortalecer redes de investigação e promover o intercâmbio de conhecimentos entre diferentes países e actores dos sistemas alimentares.
O dirigente agradeceu ainda ao Governo de Moçambique, aos parceiros nacionais e internacionais, aos membros das comissões científica e organizadora, aos voluntários, aos agricultores que acolheram as visitas técnicas e a todos os participantes que contribuíram para o êxito do evento.
Ao declarar oficialmente encerrado o XI Congresso Internacional de Agroecologia, o Director Geral do ISPG reiterou o compromisso da instituição com a promoção da investigação científica, da formação de qualidade e do desenvolvimento sustentável, expressando confiança de que as reflexões e recomendações produzidas durante o Congresso continuarão a inspirar políticas públicas, projectos de investigação e práticas agroecológicas em Moçambique e no mundo.
Com o encerramento dos trabalhos, conclui-se uma edição histórica do Congresso Internacional de Agroecologia, que ficará marcada como a primeira realizada em África e como um importante contributo para o fortalecimento da Agroecologia e da soberania alimentar à escala global.

